Alguns pensamentos compartilhados.
A simples possibilidade de podermos nos expressar livremente é motivo de felicidade, principalmente quando nos lembramos que ainda hoje bilhões de pessoas não podem fazê-lo, sequer oralmente. O instrumento multimídia que ora o blog nos oferece é simplesmente fantástico, mesmo que os acessos sejam poucos. O que importa é a sensação de que estamos fazendo, assim, simplesmente fazendo.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Fraude na saúde.Lá, como cá?
A autora não deixa, obviamente, de colocar algumas "cerquinhas" já no início do segundo parágrafo quando afirma que não se trata de uma prática generalizada e que a maioria dos médicos é honesta e são respeitados, tanto por pagadores como pelos próprios pacientes. Ressalta, entretanto, que os casos "não são isolados".
No decorrer do artigo, ela desenvolve, de modo pertinente, considerações mais aprofundadas sobre a realidade estadunidense do problema, causas e consequências, além de discutir algumas ações possíveis para se evitar tal prática, mas, já chegando ao último parágrafo, deixa claro a necessidade de se educar, desde a universidade até os programas de residência médica, contra essa prática, danosa e imoral, de aliciamento, por uns, e, receptividade, por outros.
Ainda neste mesmo número do NEJM, Robert Leibenluft, que me parecer ser um juiz de direito (Juris Doctor), aprofunda o tema à luz da regulação jurídica, especialmente do ACA (Afordable Care Act), que emerge como mais um mecanismo de proteção ao paciente. Algumas são considerações muito locais, mas, tantas outras, são perfeitamente "tropicalizáveis" e deveriam ser colocadas de forma transparente nos fóruns apropriados.
O último código de ética médica elaborado pelo CFM após ampla consulta já coloca de modo evidente que o problema existe entre nós, e também não é pequeno, como sabemos. Cabe agora, às outras instituições que lidam com a prática médica e serviços de saúde, também aprofundar medidas educativas, tanto durante a formação profissional quanto na educação continuada, para que não tenhamos, depois, que padecer do pesadelo da ação judicial.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
O paciente como colaborador de sua própria segurança
sábado, 30 de outubro de 2010
A efetiva incorporação do consentimento informado na prática clínica
sábado, 23 de outubro de 2010
Novas Diretrizes ACLS
Bom domingo a todos e divirtam-se estudando as diretrizes.
domingo, 8 de agosto de 2010
Safety2010, grande, mas manco.
A cidade do Rio de Janeiro foi sede, na quinta e sexta-feira desta semana, da terceira edição do Safety. Trata-se de uma projeto do cirurgião geral, meu professor na UFRJ, Dr. Alfredo Guarischi - pronuncia-se Gurariqui em italiano, país do qual, como eu, é também de oriunda família. Muito emotivo e criativo, como não poderia deixar de ser, vem nos presenteando com uma programação invejável sobre segurança na área da saúde. Multiprofissional e interdisciplinar, o evento teve como convidados diversos expoentes da medicina e enfermagem, mas também representantes da área de segurança de diversas outras instituições, como as Forças Armadas e de empresas, como a Petrobrás. Não houve, entretanto, a participação da anestesiologia, especialidade que, como pude manifestar no próprio evento, nasceu e vive para a segurança do paciente, essência de seu fim como profissão.
Muita informação e conhecimento compartilhado com aqueles que, como eu, tiveram o privilégio de poder assistir, ou dos que puderem arcar com o custo dos dvds, já que o evento foi todo gravado.
Alfredo Guarischi, o "dono da bola", como se auto-denominou durante todo o evento, é cirurgião experiente e visionário, mas antes de tudo um empreendedor com um projeto bem definido e de real benefício para toda a sociedade, inclusos pacientes, profissionais, provedores e meio ambiente, apesar da falta de compreensão de muitos dos "players", os quais não souberam, ou não quiseram, ajudá-lo este relevante evento.
Ao analisar o porquê desta dificuldade - por ele alardeada na mesma intensidade que a eloquência da gratidão aos que colaboraram, lembrei-me da anedota do escorpião e do elefante. Precisavam os dois atravessar um rio, o escorpião, sem chance de fazê-lo por si só, solicitou ajuda ao elefante. Este, temeroso em portar um animal peçonhento em seu dorso durante a travessia, questionou o pequeno, mas perigoso, animal sobre a possibilidade de ter-lhe a peçonha cravada em alguma parte vulnerável de seu tegumento. O argumento do escorpião foi preciso, nessa condição também ele morreria, afinal ambos sucumbiriam no leito do rio. Assim, o paquiderme aquiesceu e permitiu a subida do escorpião. Bem no meio da travessia, o escorpião não se contém e crava-lhe a peçonha na orelha do elefante, que, de imediato, indaga-lhe perplexo: porque você fez isso, não vê que vamos nos afogar juntos? A resposta foi cortante, mas definitiva:"É a minha índole".
Não acredito que um cirurgião, com o conhecimento e a rede de relacionamentos do doutor Guarischi (no encerramento estavam o ministro Marco Aurélio de Mello, do STF, e o professor Adib Jatene, dentre outras personalidades), não encontrasse um anestesiologista com expertise sobre segurança em cirurgia para apresentar sua experiência. Ainda que em nossa cidade não conseguisse o apoio de especialista, o que desconheço e custo a crer, em São Paulo são diversos os expoentes no setor. Não menciono a doutora Fabiane Salman, uma das mais renomadas anestesiologistas com foco na gestão da qualidade e segurança que atua em instituições como o H.Sírio Libanês, Samaritano de São Paulo e H. Oswaldo Cruz, mas também o doutor Antônio Bastos Neto, do H.Albert Einstein, patrocinadora do evento e que nos presenteou com as apresentações das enfermeiras Ana Margherita Bok e Sônia Mizoi, que,aliás, nos mostrou a importância da simulação "realística" no ensino e treinamento na saúde. O Instituto de Pesquisa do H.Albert Einstein já possui uma bagagem nesse campo e ganhamos muito com o compartilhamento da informações sobre o caminho percorrido, mas vale lembrar que também o Rio de Janeiro há muito possui seu centro de simulação, com recursos e qualidade equiparáveis. O "dono da bola" pode não concordar, mas não pode negá-lo, seria faltar com a verdade.
Parabéns ao "dono da bola" (sei que repito, mas bem menos que o dr. Guarischi durante o evento)! Que persevere e possa, assim, divulgar aspectos fundamentais à melhoria da prestação de serviços na área da saúde. Apenas um último reparo, como anestesista que sou, ao compartilhar com aqueles que muito ajudaram à cirurgia a chegar ao nível de excelência que hoje alcançou, a "Segurança do Paciente" encontrará um caminho menos espinhoso. Que a bola do jogo seja realmente de todos aqueles que estão no jogo, não precisa ser nem a "Jabulani", mas que seja de todos. Deixemos de lado rixas, preconceitos e a índole do "capitão do navio" e esqueçamos a estória do "gordinho dono da bola". O mérito e a beleza do trabalho do dr. Guarischi não será jamais esquecido e desvalorizado, mas engrandecido e "maior" quando for menos personalista. Talvez muitos outros sintam-se mais à vontade em participar.
Parabéns mais uma vez.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Primeiros relatos de uma quase aventura
Chegar, não seria fácil em um Brasil de antigamente, mas, hoje, vimos um país definitivamente inserido no mundo global. Plugado, consigo estar aqui... no mundo.
Analisando com mais vagar essa experiência fantástica, percebo que o país vai deixando o contraste mais rapidamente do que poderíamos imaginar, mais pela capacidade do nosso povo em assimilar novas tecnologias e adaptá-las com criatividade ao ambiente, do que os "gadgets" que lhes são impostos pelo mercado. Este é o segredo, procurar o conhecimento, avaliar a tecnologia disponível e dela aproveitar o melhor.
Isto posto, da capacidade e criatividade, o que precisamos, verifico, é competitividade no preço, pois, valor, nós esbanjamos. Aí, então, é que o Estado deve se fazer mais presente, oferecendo a infra-estrutura que possa fazer a diferença no preço. Paga-se, hoje, para visitar os Lençóis Maranhenses, menos que uma saída do sudeste para a bacia do Prata.
Enfim, este é o preâmbulo do meu relato sobre a nossa aventura (eu e Regina), por este belíssimo pedaço de Brasil.
domingo, 23 de maio de 2010
"Pay-for-performance” na saúde – algumas considerações
- Guimarães R, Pinheiro R. Branding – identidade, relações e valor de mercado, em: Gestão integrada de ativos intangíveis. Zanini MT (org.), Qualitymark Ed., 2008, Rio de Janeiro, pag.111.
- Porter ME, Teisberg EO. Repensando a saúde. Porto Alegre, Bookman, 2007. Pag 55
- Donahue KT, O’leary DO. A evolução dos sistemas de acreditação de instituições de saúde. Rio de Janeiro, Ensaio – avaliação e políticas públicas em educação – Fundação Cesgranrio, v.8, p.5-16, 61-71, junho, 2000.
- Weingart S, Wilson R, Gibberd R, et al. Epidemiology of medical error. BMJ 2000; pag. 774-777
- Christensen CM, Grossman JH, Hwang J. Inovação na Gestão da Saúde. A receita para reduzir custos e aumentar qualidade. Porto Alegre. Bookman, 2009.
- La Forgia GM, Couttolene BF. Hospital Performance in Brazil. The search for excellence. The word bank. Washington DC, 2008.
- Noronha, JC, Travassos, Martins MC, et al. Avaliação da relação entre volume de procedimentos e a qualidade do cuidado: O caso de cirurgia coronariana no Brasil. Cadernos de Saúde Pública 19:1781-89
sábado, 24 de abril de 2010
A imprensa, a ciência e a repercussão improdutiva do erro.
Não cabe ao jornalista apenas "traduzir" o discurso científico, muito embora a maioria ainda não se arrisque a aprofundar o que diz a fonte por entender o perigo de uma informação equivocada nessa área. O estudo e preparo para cada pauta na área de ciência é necessário e deve ser estimulado, sem, entretanto, pretender-se o exercício do papel da fonte, até mesmo de "dono" da informação, de forma exagerada. O preparo da pauta em toda a sua complexidade é fundamental para que a matéria não exprima também um posicionamento crítico diante da ciência.
Outra questão é quando da ciência aplicada, como por exemplo na medicina clínica, em que a fronteira entre o fato científico e a notícia "fantástica", para não se dizer fantasiosa, é muito tênue. Quando há erro, a situação resvala para a vala comum da "demonização", sem, entretanto, procurar-se as verdadeiras razões, a sequência dos acontecimentos que motivaram o infortúnio, o qual afeta o sujeito da ação, o profissional, a instituição e toda a sociedade.
Não faz muito tempo fui procurado para uma entrevista sobre "erro médico". Jornalista experiente, a profissional iniciou sua abordagem com o entrevistado, no caso eu mesmo, vomitando seu currículo a cerca do conhecimento da má prática na medicina moderna, e, pior ainda, não escondendo seu claro preconceito para com os médicos. Na verdade, o "release" do setor de comunicação da instituição a qual me encontrava ligado havia liberado uma pauta sobre o modo moderno de abordagem do erro nos estabelecimentos assistenciais de saúde, ou seja, um enfoque muito mais sistêmico do que pessoal. Ao se considerar o erro como a concretização de uma falha no sistema, no qual as barreiras que lhe são impostas não lograram em impedi-lo, favorece-se a detecção da causa-raiz e, em análise crítica, à instituição de processos que possam melhorar essas barreiras, com repercussão nos resultados vindouros. Há muito já se sabe que o enfoque pessoal, com a culpabilização unica e exclusivamente do profissional irá dificultar a melhoria do processo simplesmente por não se conseguir, na maioria das vezes, se chegar à real e efetiva causa-raiz do erro.
Como em todas as profissões, há bons e maus profissionais, de modo que quando há culpa, seja por imperícia, imprudência ou negligência, e, pior ainda, dolo, medidas devem ser tomadas de modo a reparar, dentro do possível, as consequências do erro, mas a sociedade não deve se esquecer, e aí entra o papel imprescindível da imprensa, que o estabelecimento de medidas preventivas que impeçam a replicação do erro, é mais que desejável, é obrigatória.
A imprensa deve ser enérgica e até reagir de modo indignado quando evidente for o dolo, mais ainda se contumaz for, mas não deve pré-julgar e opinar sem o devido estudo e preparo sobre o assunto. Afinal, o erro é inerente ao ser humano, inclusive àqueles que exercem o jornalismo.
domingo, 28 de março de 2010
A esquecida, mas eterna capital brasileira
Em sua coluna, Zuenir Ventura apresenta um livro escrito por Bárbra Freitag ("Capitais migrantes e poderes peregrinos - o caso do Rio de Janeiro"; editora Papirus) que faz, segundo ele próprio, um mergulho profundo na história do Rio e segue na atualidade. O que mais me chamou a atenção, até mesmo porque, como dizia no início do parágrafo anterior, vem ao encontro de um forte conceito que sempre adotei sobre a nossa cidade - e falo isso para todos os brasileiros e até mesmo para os estrangeiros (vide reportagem de hoje, 28/03/2010, também no O Globo, sobre a preferência da cidade pelos refugiados políticos do mundo em conflito) -, a capacidade que certas cidades possuem de ser a síntese de um país. Considere que, no caso, o país é quase um continente.
Zuenir Ventura afirma que este conceito de síntese de uma nação, expressa num conjunto de características de uma população geograficamente confinada em poucos hectares, foi introduzido por um historiador de arte - Giulio Carlo Argan, autor de "Histórias das Cidades", mas também ex-prefeito de outra cidade de mundo - a cidade aberta, Roma. Imagino, assim, que não tenha sido muito difícil para ele chegar a esta conclusão, afinal, Roma não foi tão-somente capital da Itália, mas sim de todo um império. Como se livrar disso?
Talvez o debate que se deva prosseguir após este artigo do Zuenir Ventura seja justamente sobre esse tema específico: livrar-se, ou não, desse passado. Apresso-me logo a dizer, de modo a impedir conclusões errôneas, que o nosso passado que muito nos honra. Vale lembrar que até hoje não existe (ou se existe, até eu mesmo, com quase 54 anos de carioca, desconheço) a "Folha Carioca", ou o "Diário do Rio de Janeiro". Conheço sim, "O Globo", o "Jornal do Brasil", a TV Globo. São nomes enraizados nesse conceito apresentado por Giulio Argan e revivido por Zuenir Ventura.
Sei que às vezes me torno meio maçante para alguns amigos, principalmente para aqueles não cariocas - que são muitos, quando amaldiçoo o ex-inquilino do palácio do planalto, o General Geisel, gaúcho tedesco que nos "presenteou" em 1974 com um governador biônico, o também militar Alm. Faria Lima, e a fusão da nossa cidade-estado (Estado da Guanabara, em homenagem à nossa linda baía) com o Estado do Rio de Janeiro. Esta nova unidade federada apresentava grandes contrastes entre seu interior e a capital, pois desde 1834 a cidade do Rio de Janeiro já havia vida própria como Município Neutro da Corte, e a bela Nicteroy, a capital da província do Rio de Janeiro. Em 1889, a cidade foi palco da proclamação da república e permaneceu com distrito federal até a inauguração de Brasília. Por coincidência (será? sempre perguntamos isso hoje em dia) aparece na revista "O Globo" (suplemento dominical do periódico) uma entrevista com Maria Elisa Costa, que vem a ser filha de Lúcio Costa. Ela dá início à resposta da primeira pergunta, dizendo que Brasília é carioca, que nasceu no Leblon, na casa de sua infância.
Voltando à fusão que originou o atual Estado do Rio de Janeiro, afirmo que não sou contra, de modo algum, à união. Creio, entretanto, ser um absurdo administrativo, - e nós cariocas não tivemos como nos rebelar contra isso no tempo da ditadura militar, onde muitos ainda morriam nos calabouços do poder discricionário de então -, é como ela foi feita - o resultado, todos nós sabemos.
Caros, ainda bem que tem gente que pensa como a gente, e tem mais voz e que, por mais não seja, possa manter acesa a chama do debate e da justiça.
Ah! Ainda é cedo para enaltecer, mas talvez um outro gaúcho, o secretário de segurança pública, o Beltrame, possa redimir seu paesano de outrora e deixar o Rio mais equânime e com a dignidade que merece por tudo que representa e sempre representou para o Brasilzão.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Simpósio ABC-FAPERJ
Conferencistas de primeira linha, tais como Carlos Ivan Leal, presidente da FGV, Hyne Felipe da Farmanguinhos, Sergio Werlang da Itaú-Unibanco, Luiz Pinguelli Rosa da COPPE, Odair D. Gonçalves, da CNEN, João Jornada, do INMETRO, João Moreira Salles, Revista Piauí, dentre outros.
Além de ouvir as apresentações sobre o tema em questão, os participantes puderam, dentro do razoável, fazer perguntas, muitas das quais acompanhadas de outras pequenas palestras.
Altamente informativas sobre as instituições que representavam, as apresentações, em sua grande maioria, revelaram conceitos importantes sobre a maneira que cada uma delas entendia e atuava a partir do binômio Academia-empresa.
Ouvimos, por exemplo, o prof. Luiz Pinguelli Rosa impor ao judiciário brasileiro uma boa parcela de culpa por não ter a administração do executivo a agilidade que lhe seria necessária, citando, mais especificamente, as dificuldades que as fundações de apoio vem encontrando.
Sobre o mesmo assunto, Odair Gonçalves fez um parentesis em seu discurso para defender a cautela que o Ministério Público vem realizando as intervenções em algumas fundações.
Mais interessante ainda foram os comentários do cineasta João Moreira Salles sobre a profusão de profissionais na área de humanas em relação à das ciências, cineastas inclusive. Note-se que ele é professor de cinema na PUC do Rio de Janeiro. Outra grande revelação, a de que se houvesse um ambiente favorável em seu ambiente familiar, teria escolhido a medicina como profissão.
Ontem, de outro modo, mas também impondo seu ponto de vista, Carlos Ivan Leal (FGV) provocou alguns da plateia ao comentar sobre a necessidade da "accountability" (responsabilização) em quaisquer projetos, inclusos os de pesquisa financiados por instituições de fomento ou empresa.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Esqui na Sapucaí
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
A arte do invisível
Depois que tive conhecimento dessa definição passei a perceber tudo o que o cinema ainda pode nos proporcionar. E imaginar que quando surgiu a televisão muitos acreditaram que o cinema estava com os dias contados.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
O erro nos ensina permanentemente
Estas palavras nos induzem à "repercussão" (palavras que os jornalistas adoram), desdobrando o parágrafo em infinitos conceitos e conclusões. Começaria, então, pelo próprio título; a simples, mas nem sempre óbvia, constatação de que o "errado" ensina, que quanto mais "erros" identificamos, maior a probabilidade de acertar. Na área da saúde este conceito sempre foi ambíguo; a prática da "tentativa e erro" ainda é muito utilizada na medicina, mas poucos admitem isso. Muito embora outras áreas do conhecimento, e sua "práxis", há muito tenham reconhecido e estudado o "erro", - e aí ainda não o estamos classificando -, no cuidado que a área de saúde se propõe realizar, muito pouco se fez.
Tão-somente no final dos anos 1990, com a publicação, pelo "Institute of Medicine" estadunidense, do livro "Errar é humano: construindo um sistema de saúde mais seguro", no qual apresenta a universalidade do erro e reaviva a condição humana de falibilidade, independentemente do dolo. Não são só os maus profissionais que "erram", mas também aqueles que diuturnamente se dedicam a fazer o bem ao próximo da melhor maneira possível.
A sutil colocação do Jabor no título do artigo, não está apenas na constatação de aprendizagem com o erro, mas também em outra afirmação sintetizada na palavra "permanente". Paul Virilo, arquiteto e filósofo francês e crítico à maneira que nós humanos estamos lidando com a tecnologia, principalmente da informação, nos lembra que bastou "inventarmos o veleiro e o navio a vapor, para inventarmos o naufrágio, que basta inventarmos o trem para inventarmos o acidente ferroviário e ainda, que ao inventarmos o automóvel de passeio, inventamos o engavetamento nas rodovias." O progresso tecnológico não prescinde pensarmos e analisarmos, profundamente os acidentes que nos trazem, sejam quais forem as causas e se há, ou não, "culpados".
Assim, também na medicina, cada vez mais tecnocientífica e menos humanística, tem-se que projetar a possibilidade do erro e, fundamentalmente, como impedi-lo, isto é, no estudo sério e sistemático de como preveni-lo. Inventamos vacinas e sugerimos muitos exames para prevenir doenças, mas nos esquecemos da iatrogenia. É imprescindível que cheguemos a Freud e nos conscientizemos, - de verdade, na alma - , de que lapsos (por "esquecimento" ou qualquer "falha" em reconhecer algo) existem e não estão sob nosso controle. Talvez, se bem compreendermos estes conceitos e reconhecer que não podemos tudo, possamos respeitar as barreiras que nos são impostas com o objetivo genuíno de "pescar" os nossos lapsos.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
E o código do consumidor, hein?
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Quando ver somente o núcleo do discurso dificulta o diálogo.
Não, não trata-se de qualquer lembrança dos tempos da subordinação à ditadura militar que, infelizmente, deixou algumas sequelas em nosso país, mas sim sobre as alterações no discurso das pessoas e suas implicações na comunicação coloquial e repercussões nas atividades diuturnas de nossas vidas pessoal e profissional.
Hoje, ao café da manhã, comentei com meu filho, mestrando no programa de letras da UFRJ, sobre um fenômeno que venho percebendo cada vez mais – a falta de entendimento sobre o discurso no decorrer de um simples diálogo entre duas pessoas e, mais especificamente, na dificuldade que os interlocutores tem na compreensão de alguma opinião anatecipada com algum significado desfavorável. Cito, como exemplo, o seguinte diálogo sobre a diferença entre alimento fresco e congelado na composição de uma refeição.
– Minha amiga, não estou comparando com o peixe fresco que compro no mercado São Pedro em Niterói, mas este Cherne congelado da Peixal® está saboroso.
– Mas como! Não dá prá comparar, o peixe fresco de lá é muito bom, no mercado S.Pedro tenho um pescador conhecido que já me avisa com antecedência e eu vou lá buscar. Mas você reparou como este Cherne está gostoso neste molho de alcaparras; a Peixal®, tem produtos de primeira, mal comparando, parece até os do meu amigo peixeiro lá do S.Pedro.
Isso mesmo, de nada adiantou o aposto em negrito no primeiro parágrafo do diálogo. A “amiga” interlocutora não “deu a mínima” prá ele e ainda teve a “cara-de-pau” de colocar um “mal comparando” no final da sentença.
Sinto-me, ao fazer comentários semelhantes ao do primeiro interlocutor e ao ouvir respostas com a mesma construção linguística, como se o interlocutor não houvesse ouvido, ou compreendido, o meu aposto com as ressalvas da comparação. A nuance pretendida no discurso com a “não-comparação” interposta, de nada adiantou, mas sempre me vem uma pergunta: o interlocutor ouviu ou não o comentário comparativo colocado de forma antecipada ao núcleo central da oração? Foi então que Marcelo (meu filho) fez suas observações e comentários. Primeiro discorreu sobre o egocentrismo cada vez maior nos dias de hoje e sua expressão no discurso interpessoal cotidiano. E, continuando a conversa, entramos na percepção linguística por núcleos, e citou um exemplo bem médico:
– Meu senhor, a sua ressonância apresentou uma tumoração na sua panturrilha.
– Tumor! Não! Bem que minha mulher sempre falou que eu ia ter um câncer. Quanto tempo tenho de vida, Dr?
Enfim, são muitas as dificuldades que encontramos ao nos expressar no dia a dia, ainda que com interlocutores de níveis culturais semelhantes e detentores dos mesmos códigos linguísticos, e quando nos damos conta que a comunicação é considerada cada vez mais um dos fatores fundamentais para a qualidade dos processos, devemos nos preocupar e procurar mecanismos de melhor monitorar nosso discurso, seja em equipe ou até mesmo em encontros pessoais fortuitos dentro ou fora do ambiente profissional.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
O mercado e a comunicação
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
E vamos à Liga novamente.
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